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"Se me perguntarem como estou, eis a resposta: Estou indo. Sem muita bagagem. Pesos desnecessários causam sempre dores desnecessárias. Esvaziei a mala, olhei no fundo dela, limpei, e estou indo… preenche-la com coisas novas. Sensações novas, situações novas, pessoas novas. Tudo novo." (Caio Fernando Abreu

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Enfim sinto meu peito cada vez mais leve, inspiro e expiro profundamente com a paz de quem nunca viveu um desamor, as risadas expontâneas se fazem, finalmente,mais presentes.

Confesso que o “não sentir mais nada” é triste, a paixão se esvair assim… e precisar levantar todos os dias novamente à procura de uma nova. Afinal assim como o tesão, as paixões movem montanhas. O que seria de nós mortais sem isso? O que seria da arte? certamente não teríamos albuns da Adele.

Mas o negócio está na transição, nas fase “superei, não superei”. Maldito jogo! Confunde minha mente, meu coração e faz do meu humor uma montanha russa de paranóias e emoções. Cabeça trabalha a mil. Repete e repete e repete a mesma cena, mas que diabos é isso? CHEGA! É como um gif infinito.

Vontade de ser o Joel de “Brilho eterno de uma mente se lembranças” não faltam, mas eu não apagaria tudo, somente os momentos em que nos desentendemos, onde tudo se perdeu, onde caos se instalou e persistiu. Não posso apagar tudo o que vivemos, os flashes de momentos felizes que ainda me tiram o sorriso, e me fazem ser grata por ter acontecido. Só quero viver sem angustia, sem essa coisa negra amarga instalada aqui dentro. Agora posso dizer “cansei”.

Quero estar bem com você, tomar um novo rumo nessa história, e continuar criando novas lembranças. Quero estar completa novamente. Quero rir de chorar como no inicio. Quero meu coração preparado e disposto para se jogar do próximo precipício que aparecer em forma de paixão, ou quero ser uma puta, como sempre disse ser. Não quero mais amor-paixão. Quero apenas amor, amar…

Hoje é seu aniversário, e apesar de te desejar felicitações e entre outras coisas que já são clichês e qualquer outra pessoa deseja, resolvi fazer diferente. As vezes pago de escritora na minhas madrugadas mais tranquilas e produtivas, resolvi usar essa não para descrever desamores e angustias, mas para descrever um amor, e uma alegria, uma ventura. 

A propósito, estou ouvindo Ellie Goulding, sabe, aquele álbum do terceiro ano que você costumava ouvir todo os dias depois que te passei.

Lembro da menina de cabelos cacheados e dentes grandes sentada na primeira carteira da fila à esquerda, que morria de tedio com as aulas de física e vivia com cara de sono, com uma outra que mais tarde apelidaria de bob esponja. Sentia que aquela cara de sono combinaria com a minha, assim como o humor, mas éramos de grupos diferentes. Oras, mas qual o problema? Bom, sabemos que na vida, ainda mais no ensino médio, grupos definem muitas coisas, como mostra “10 coisas que odeio em você” e “meninas malvadas”.

Após uma duradoura greve, nas voltas às aulas, as amigas da menina dos cabelos cacheados tinham mudado de escola, ali era finalmente a chance de sermos amigas. Um trabalho em grupo, um coral mal sucedido e repetidos plays em “broken strings”,sem mencionar um intimidade forçada numa certa gripe, as coisas já não seriam mais tão sérias. Eu tinha uma nova amiga.

Eu tinha uma nova amiga que ria das risadas e das coisas sem grandes motivos, passava a noite acordadas e chegava na cara de derrota na sala de aula, fazia prova e tirava nota boa e justificava com “nóis sabe de um jeito que nóis não sabe explicar”, e foi essencial no combate ao Costa Rica e alguns  males adolescentes.

Acaso ou não as coisas aconteceram para que nessa amizade acontecesse uma soma, ou melhor, duas somas. Uma com grandes olhos verdes, e ar meio rebelde de inicio, mas com um generosidade… o melhor coração. E outra, que era “agro”, mas a agro mais pop que conheci, no meio de tantas séries e músicas em comum,  brotou e progrediu uma amizade de forma tão sólida que hoje sobrevive a distancia, é a mais sensata e sincera.

Mais tarde o grupo se torna “kengas. com”, ironicamente.

Muitas coisas aconteceram desde que a vida resolveu unir essas quatro amigas. No nosso caso, quatro é um número mágico. É sustentação, é cair no show da ivete e a outra estar lá pra ajudar, é chorar junto, é comer pizza doce e reclamar da mussarela, é comentar as séries por whatsApp, é um “julia vamos dormir na sua casa, é maratonar harry potter e todas dormirem, é fazer sucesso,é planejar morar no mesmo condominio um dia e todo mundo se encontrar na casa da julia, sempre anfitriã, é além de tudo, é AMOR. A mágica se encontra ai, e como nós, também são quatro letras, quatro integrantes. Eu disse que esse número era mágico.

Estou escrevendo isso para lembrarmos sempre do que fomos, do que isso representa, e que apesar de tudo o que estamos vivendo agora, isso é apenas um elementar, se até "Quatro amigas e um jeans viajante” tiveram problemas, porque nós não teríamos? A vida adulta está chegando, e como uma amizade que acompanha a vida, o enredo vai ficando mais corpulento, mais denso, com ramificações e complicações, mas tudo é para crescermos como pessoas e amigas. 

Não costumo dizer isso, mas tenho fé que juntas conseguiremos resolver as coisas, e tudo isso, será apenas mais uma história das kengas.com. Afinal, tinha que ter um clímax. 

É aniversário da Carol, mas o texto é sobre nossa amizade e pra mostrar o quanto sou grata por vocês, que bendita sorte a minha o dia em que nossas vidas se cruzaram e se uniram. 

E pra complementar o parabéns e gratidão, hoje minha amiga, só quero te dar um abraço cheio de afago e ternura, e um beijo na cabeça, como sempre fiz. Porque fora esse texto, é tudo de mais sincero que posso te dar hoje.

Eu não sei o que aconteceu, naquela noite, uma mensagem, me encheu de euforia, tomou conta, não pensei. Como sempre impulsiva e intensa, mergulhei em um lugar que acreditava conhecer, estar habituada, afinal, já fazem uns meses, não é mesmo? acontece que mais uma vez minha mente traiçoeira, desviou tudo, o negocio não era coordenação, eu me perdi ali. Tudo virou borrão, cinza. Travei. Insegurança, não é uma palavra comum nos meus hábitos e trejeitos de puta, mas ali, naquela noite, com você, ela apareceu, e minha euforia foi tomada pela imensidão de insegurança. Eu não soube como sair. Meu improviso não funcionou, meu humor muito menos. Você quis dormir. Desanimou. Me mantive presa. Paralisia. 

A noite acabou, amanheceu, e o dia passou e milhares de cenas na minha cabeça. Parece uma maquina de tortura. Queria voltar, queria repetir, começar tudo de novo, mas as coisas não funcionam assim, não na vida real. Que reviravolta.

Raso. Raso. Não me afoga, não me afunda, não me transborda e nem me faz querer mergulhar de cabeça. Vago. Solo. Conheço rostos, cumprimento, sorrio, mas não conheço os seres. São apenas carcaças ambulantes. Peles.    

Me veem nua mas não despem minha alma. Meu sorriso. Saco plástico vazio ao vento, me sinto.

Nada surpreende. “Uma cerveja, por favor”- acende um cigarro,é o tempo da conversa, que segue uma foda vazia, sem intimidade, apenas, mais do mesmo, a cabeça não chega nem a divagar ou o coração a palpitar Em casa tudo permanece como foi deixado. Tudo permanece como sempre esteve. 

É tudo tão liquido. Medianeiras.

Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. Mas se você tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido. Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina. Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo. Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim.
Caio Fernando Abreu. (via versificar)

ceciliando:

Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte. Estou a amar-te ainda entre estas frias coisas. As vezes vão meus beijos nesses barcos solenes, que correm pelo mar rumo a onde não chegam.

Pablo Neruda